Regressar e fotografar São Vicente, Cabo Verde

Regressar e fotografar São Vicente, Cabo Verde

Mindelo, a capital de São Vicente, é fotogénica, tem uma luz fantástica e cores muito contrastantes.

Passei muito tempo sem ir a São Vicente, a minha terra natal de onde saí há muitos anos e onde só voltei um par de vezes durante a adolescência.

Regressar foi uma torrente de emoções positivas, uma viagem que começou com o recolher de cartografia, leitura de livros e relatos de viagens que ficavam aquém das expetativas mas que me davam informações muito úteis.

É fácil calcular que muita expetativa minha sobre São Vicente só poderia dar em alguma desilusão, é normal mas não necessariamente negativo porque também da frustração surge a força de explorar novos ângulos ou procurar o que é verdadeiramente bom em cada local em vez de procurar no local o que nós já pensamos ser bom.

Rever os familiares foi o objetivo óbvio e o que mais tinha certo de ser cumprido mas o que fazer para além disso? Caminhar, andar de bicicleta … ou simplesmente usufruir da paisagem e dos lugares?

Claro que deve estar a pensar: “Então e a gastronomia? A cachupa etc etc” … “E o grogue e o ponche?” … é lógico que tudo isso terá o seu lugar próprio e de destaque mas não agora.

A dita desilusão não tardou em aparecer em forma de edifícios por terminar e tijolos entremeados com cimento. Um cenário que é uma doença que a cidade tem que resolver porque esta enfermidade, por si só, poderá vir a ter consequências nefastas no turismo da ilha.

Ao ver este postal terceiro mundista vemos o feio e o turismo persegue o bonito.

De entre as atividades possíveis e que gosto de fazer, tentei andar de bicicleta mas não encontrei onde pudesse alugar algum equipamento razoável e por isso desisti da ideia.

Caminhar era sempre uma boa possibilidade, afinal de contas é a atividade mais versátil que existe. Mas haverá algum trilho que me possa encher as medidas?

As descrições que li não eram muito empolgantes e isso deixou-me na retranca. Ainda assim, houve um trilho que me fez levantar o sobrolho e que mais tarde se revelou espetacular.

A maior surpresa sobre o que fazer revelou-se na minha cidade.

Mindelo, a capital da ilha, é fotogénica, tem uma luz fantástica e cores muito contrastantes.

Com isto não quero dizer que existam muitas oportunidades de fotografias de pessoas com olhos esbugalhados ou com turbantes exóticos, quadros fotográficos que comparo à muito reproduzida pintura do menino com a lágrima no olho. Há inclusivamente o problema dos edifícios inacabados que são horríveis.

Então o que captar?

Os azuis do mar contra o negro da rocha vulcânica ou os rudimentares botes coloridos retratam bem algumas realidades locais e o cair do dia revela que a cidade se vai expandindo para outros horizontes da baía do Mindelo riscando o enquadramento com pontos de luz.

Dentro da tipologia de fotografia que mais gosto tinha encontrado os meus temas.

Para mim, acima da caminhada ou passeios de bicicleta, foi a fotografia que imperou em São Vicente e que nos trilhos mais emblemáticos tal como o percurso que nos leva da praia de São Pedro ao Farol D. Amélia teve o seu auge de encanto.

O suave cair da noite fez as minhas delícias e quero agradecer ao meu cunhado Aires Almeida ter-me criado a oportunidade de registar a minha cidade de um spot fantástico.

Vai a São Vicente? Leve a máquina fotográfica.

Bem-haja,

David Monteiro

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