Partir em viagem

Partir em viagem

Partimos em viagem e o que fica atrás de nós?

Vivo em Lisboa, uma cidade fantástica que adoro e felizmente a vida tem-me dado a oportunidade de ter amigos e família com quem tenho o prazer de disfrutar bons momentos.

A minha atividade profissional leva-me a viajar com muita frequência e o resultado disto é estar longe de casa, esse lugar e ambiente que adoro.

Mas se por um lado viajar afasta-me de casa por outro lado, as viagens são excelentes momentos de conhecer ou revisitar pessoas e locais interessantes.

Vivemos numa época em que viajar está na moda mas será que é agora que está na moda?

Claro que não, basta ler Bruce Chatwin ou outro autor do género e percebemos que viajar está na moda há muito tempo. Talvez o que aconteça hoje em dia e isso explique o atual tsunami de turistas é a existência mais generalizada de recursos para viajar, pelo menos no que respeita a habitantes de países ditos mais desenvolvidos.

Também os portais de marcação de alojamento e viagens de avião, a proliferação de espaços de publicação de relatos de viagem como é este blog e as redes sociais com a sua miríade de comentários cliche sobre viajar têm contribuído para esta vaga de viajantes.

Quando viajamos em lazer, embarcamos em aventuras usufruindo da presença de amigos, família ou de uma ocasional companhia de viagem. Os viajantes solitários são casos marginais a esta realidade.

Viajamos deixando o nosso mundo para visitar outras realidades após alguma preparação ou em cima da hora. De uma forma ou de outra, levamos connosco uma parte do nosso mundo.

Quando viajo profissionalmente, repetindo os mesmos locais com alguma frequência, começo aí também a criar um pequeno mundo sem que este último seja partilhado por atores do meu cenário principal.

Então, da perspetiva de meu mundo principal, a minha vida passa a ser como um pente ao qual faltam alguns dentes. Há hiatos de vida que não partilhei com os atores do cenário principal.

As viagens repetem-se e com elas criam-se e reforçam-se laços no novo mundinho … passo também a ser parte deste novo cenário que mais tarde deixarei ao regressar a casa.

Seremos só atores emprestados a este novo mundo?

Em mim vai ficando um pouco de cada local que (re)visito. Hoje consigo compreender o sentir de um basco ou um catalão e as diferenças em relação a um madrileno ou um galego tal como aprendi a amar os Açores, a admirar o Vale do Douro e descobri o Algarve.

Não sou emprestado a estes locais que me têm acolhido e tratado como igual. Vou sendo um pouco de cada um destes sítios.

Mas, mesmo quando me sinto em casa nos locais para onde viajo, ainda assim uns dias antes de sair de Lisboa começa a crescer algo em mim que é um misto de uma leve angústia temperada com o frenesi da nova aventura.

Não se trata de bom ou mau mas sim, como tudo na vida, de uma escolha de caminho e da aceitação do respetivo pacote de implicações.

Bem hajam,

David Monteiro

 

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