Navegar num batelão em Amesterdão

Navegar num batelão em Amesterdão

Em Amsterdão esperava fascinar-me com as bicicletas, com os cafés ou com o Red Light District mas encontrei o meu deslumbre nos canais fora da cidade, a bordo de um batelão.

Cada margem do canal traça uma linha paralela à margem oposta e ambas parecem encontrar-se lá ao fundo onde o canal confunde o nosso olhar.

Gruas, batelões e casas flutuantes alinham-se ao lado do batelão onde navego.

Os meus pés sentem o constante trepidar dos motores que pensava que seria incomodativo mas afinal não. Aliás, passado pouco tempo de a viagem ter começado já me tinha esquecido deste roncar de motores.

Na cabine de comando fico fascinado com tanta aparelhagem. Não sei bem o que me fascina porque na verdade entendo pouco do que aqui se passa e não sei para que serve tanta engenhoca.

Fui apanhado pelo comandante a olhar com cara de tolo para esta panóplia de comandos e ele riu-se com o seu ar de quem domina o momento. Pouco me restou senão seguir com o mesmo espanto.

Visitei dois lugares curiosos: uma fábrica de tamancos tipicamente holandeses e uma serração dentro de um moinho tradicional.

A fábrica de tamanco era engraçada mas o local fedia a coisa turística, com vídeo e um artesão pouco animado … um horror, uma total perda de tempo, podia ter visto isto no youtube.

Mas a serração já foi um momento totalmente diferente, completamente inesperado.

Aproveitando a força do vento, aqui as madeiras são trabalhadas à maneira antiga.

Após a peça de mobiliário ser definida é escolhido o tronco que dará vida ao móvel e é mergulhado em água por uns meses valentes.

Explicaram-me que o tempo em que a madeira estará mergulhada dependerá muito de que madeira é mas mais detalhes não saberei definir.

Desde o momento de desenho do móvel até o mesmo poder ir para o seu domicílio de destino pode demorar mais de um ano … imagine-se, mais de um ano … um pouco mais do que ir até a algum imenso supermercado de móveis e trazer o dito para montar em casa … é uma outra dimensão de vida verdadeira.

Esta aventura fluvial termina em plena contemplação da chegada do batelão a Amsterdão, saboreando uma chávena de cacau quente, admirando e participando no reboliço de embarcações que se cruzavam.

Viagens que valem a pena.

David Monteiro

 

 

 

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