A caminhada de Amitges a Colomèrs ainda é só o aperitivo, Pirenéus, Espanha

Do refúgio d’Amitges ao refúgio Colomèrs é uma excelente e simples caminhada onde imperam imagens de lagos que por si só são um ícon do Parque Nacional de Aigüestortes y Estany de Sant Maurici nos Pirenéus espanhóis.

Na viagem de trekking ao Parque Nacional de Aigüestortes y Estany de Sant Maurici, a caminhada entre o Refúgio d’Amitges e o Refúgio Colomérs costuma ser ao segundo dia de caminhada e por isso ainda estamos no período de adaptação.

Pela proximidade do Refúgio d’Amitges a uma zona habitacional, ou pela sua fama junto a comunidades de escaladores ou talvez por ambas as razões e mais algumas em simultâneo, é um refúgio muito procurado ficando frequentemente completo.

É também o primeiro refúgio que usamos nesta viagem de trekking de modo que, no que me diz respeito, nunca tenho uma noite muito descansada.

Talvez ainda não se sinta o cansaço acumulado suficiente, ao que se junta alguma ansiedade pela viagem que agora começa e todo o tumulto de um refúgio cheio são multiplos fatores que contribuem para essa falta de paz no sono, mas nada de grave.

O dia começa com uma grande azáfama, já que o refúgio está frequentemente cheio. O espaço é pequeno para tanta gente que tira e volta a meter sacos dentro das mochilas que são iluminadas pelos frontais que trazemos presos à testa.

Se choveu no dia anterior então a todo este cenário juntam-se roupas mal secas que se preparam para, muito provavelmente, voltarem-se a encharcar.

Se fizermos isto no inverno adicionaremos outros sons, o tilintar dos metais de que são feitos os crampons e piolets ao que se juntam os ruídos do roçar das roupas sintéticas que nos protegem da neve e da chuva gelada.

O refúgio está a 2.380m de altitude e pela manhã, mesmo no Verão, é fresco e vêm-se luvas e gorros a conviverem com calções. Sabemos que após uns minutos de caminada os agasalhos começam progressivamente a ser um estorvo.

Cá fora vão-se alinhando os grupos que partem para múltiplos destinos. Para alguns, esta foi a última noite e já terminam o seu périplo, mas para outros, como é normalmente o meu caso, ainda agora comecei.

Daqui o destino será o Refúgio de Colomérs, uma caminhada de 9km com um de desnível positivo acumulado de menos de 500m e que dura aproximadamente 3h30m. Uma caminhada tranquila, excelente para o segundo dia considerando que no primeiro dia não houve mais do que uma caminhada do estacionamento até ao refúgio d’Amitges.

O percurso do dia começa por ganharmos um pouco de altitude, o que é uma maneira elaborada de dizer que começamos a subir. Ainda assim, é uma subida progressiva e que não “mata” ninguém, num dia em que mais se desce do que se sobe.

Se tivermos sorte com o tempo, por volta do final da manhã já estaremos a trincar qualquer coisa com vista para o lago Obago e, passado pouco tempo, poderemos almoçar nas margens do lago Long.

O mais certo é o local escolhido para a paragem de almoço ser perto do trilho que nos pode levar até ao Refúgio Colomérs, já que este trilho bordeia o lago Long. Se for o caso, acaba por ser engraçado porque é o que nestas paragens poderemos considerar como sendo uma autoestrada.

Acha estranho? Claro que é, mas é só uma forma de falar.

Numa zona onde podemos caminhar horas sem ver quase ninguém, especificamente neste trilho concentra-se a maior possibilidade de encontrar mais pessoas por ser ao mesmo tempo um caminho simples, perto de um refúgio e um trilho que é usado para aceder a esta zona dos lagos.

Almoçar aqui e poder contemplar de perto a beleza desta paisagem, com os lagos em linha a decantarem as suas águas gélidas e apetecíveis para outros lagos que estão somente uns centímetros abaixo que faz o precioso líquido correr suave e constantemente enquanto as suas árvores, como bonsais naturalmente criados, crescem ao ritmo dos séculos, tudo isto é um postal que não se esquece.

A seguir ao descanso do almoço, voltamos a por as mochilas às costas e seguimos viagem. Pouco falta até ao refúgio e a maior parte do percurso é a descer.

Há um refúgio Colemèrs novo e um velho.

Ao atravessarmos a parede da barragem encontramos um refúgio fechado, é uma construção muito gira em pedra com janelas debruadas a branco e vermelho que funcionou entre 1972 e 2008, altura em que foi então inaugurado o refúgio novo, também à beira do lago e a uns 200 ou 300m do antigo. O refúgio velho era muito pequeno e por muito boa vontade que houvesse não tinha grandes recursos para albergar quem o procurava.

Quando chegamos à parede da barragem que temos que atravessar é impossível não parar para fotografar, é um dos cenários mais fotografados da região e é uma sensação que nos acompanhará até ao refúgio novo onde tiraremos mais uma bateria de fotografias.

O refúgio novo é uma excelente estrutura que pode albergar 60 pessoas e onde dá gosto chegar com tempo suficiente para apreciar a vista sobre o lago e tomar um bom banho de água quente antes de nos atiramos ao jantar que tão bem cheira.

É neste cenário idílico e real em que terminamos mais um dia desta viagem de trekking.

Boas caminhadas,

David Monteiro

 

 

 

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