Do Refúgio Colomèrs ao Restanca é uma boa preparação para o que há de vir, Pirenéus, Espanha

 

A caminhada do Refúgio Colomèrs ao Refúgio Restanca é tranquila e não muito difícil, uma caminhada de 8,5Km, com 570m de subidas e 700m de descidas.

Não sendo muito exigente, ainda assim permite-me avaliar como se irão comportar os participantes nos restantes dias.

Quando começamos este dia, que normalmente é o terceiro dia de caminhada da viagem de trekking no Parque Nacional de Aigüestortes, achamos que será difícil superar o dia anterior. É um raciocínio que se irá manter ao longo da viagem.

Na verdade, o dia anterior está repleto de momentos memoráveis e a chegada ao Refúgio Colomèrs, de onde partimos neste terceiro dia, é uma imagem que não se esquece.

Quando publiquei o texto sobre o dia anterior recebi alguns comentários que me recordaram que em Junho de 2008 o nosso grupo o estreou, facto de que me havia esquecido. Efectivamente, entre outras coisas, estivemos a desembalar os crocks que ali disponibilizam aos visitantes … obrigado Ricardo Magalhães pela recordação.

Neste refúgio, durante o pequeno-almoço, sente-se uma certa calma generalizada nos vários grupos. Não é alheio o facto de a maioria das rotas que daqui partem são potencialmente mais tranquilas do que o que acontece a partir de outros refúgios.

Também daqui podemos ter rotas duras, naturalmente, mas parece-me que a maior parte dos grupos usa esta paragem como altura de descanso da rota que estejam a fazer.

Durante este dia espera-nos uma caminhada de exigência média mas que começa a pôr os participantes à prova tendo que atravessar uma pedreira/cascalheira que exige caminhar com algum equilíbrio e também submetendo o grupo a uma descida mais acentuada do que temos vindo a ter.

Para mim é um dia importante porque me permite ir conhecendo os vários elementos individualmente e perspectivar a forma como irão ultrapassar vários obstáculos nos próximos dias quando as caminhadas ficarem mais exigentes.

A primeira grande subida começa logo à saída do refúgio até Port de Caldes, uma subida de 3Km em que ganhamos 420m de cota positiva.

Esta ascensão é feita a passo tranquilo e com um descanso a meio caminho, o que faz com que seja um desafio que todos completam com sucesso.

No local de descanso, em 2006, tive a oportunidade de fotografar uma raposa que aqui se passeava. Era Junho e ao nosso redor tudo era neve, percebi que o elegante animal procurava alimento e só se aproximou o suficiente para nós para perceber não tínhamos qualquer interesse, ou seja comida.

De Port de Caldes damos início a uma longa descida e pelo meio ainda temos que enfrentar duas pequenas elevações que nos permitem amplas vistas sobre os cumes ao redor, são momentos irresistíveis para fotografia.

O momento do dia em que chegamos por estas bandas é terrível para fotografar. Estamos normalmente a meio do dia e as sombras são muito fortes, escondendo as faces que estão protegidas do sol pelos chapéus e óculos e, em contraste, todas as restantes cores estão no seu auge de intensidade criando contrastes que, apesar de serem reais, parecem impossíveis nas fotografias.

A descida castiga bastante os quadricípites e, caso as botas não tenham a folga necessária nos dedos dos pés também os castiga, desta forma consigo perceber quem terá problemas nas grandes descidas dos dias vindouros.

Não tardam as perguntas sobre o percurso do dia seguinte quando o grupo percebe que esta grande descida se irá converter numa dura subida no dia seguinte. Começam as dores por antecipação.

Continuamos a nossa descida e adensa-se o arvoredo como sinal que a altitude assim já o permite. O arvoredo começa a fechar a ampla visão que tínhamos e concentramo-nos mais no trilho à nossa frente onde um riacho nos indica o caminho descendente.

Todos os receios e lamentos passam ao primeiro vislumbre do refúgio que se vê enquadrado entre o arvoredo. À beira do lago o Refúgio Restanca mostra-se sólido e tranquilo como uma sentinela do lago com o mesmo nome.

Com vários quartos em que cada um alberga 18 a 20 pessoas em média, é um refúgio onde o descanso é mais efetivo do que em refúgios onde 60 pessoas dormem no mesmo espaço. Também, a existência de água quente para banhos dá um acrescido nível de conforto que sabemos não iremos ter no dia seguinte.

Chegamos assim ao final de mais um dia com a rotina habitual do jantar onde revivemos as peripécias de mais um dia de caminhada … amanhã haverá mais.

Carpe diem

David Monteiro

 

 

 

 

 

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