Ponta de São Lourenço, Madeira

Numa visita à ilha da Madeira para caminhar é imperativo percorrer o PR8 Vereda da Ponta de São Lourenço. Uma experiência única na Madeira.

Nesta ilha tão verde e escarpada, a Vereda da Ponta de São Lourenço é a excepção, a surpresa e o deslumbre.

Claro que aqui há escarpas, mas em vários pontos conseguimos chegar ao mar e não são as paredes que imperam na paisagem, mas sim o ondulado do terreno o que nos retira o olhar da sensação de verticalidade dominante no resto da ilha.

Quando viajamos para a Madeira e procuramos caminhadas para fazer são as levadas em primeiro lugar e a seguir os percursos de montanha como seja a caminhada Pico do Areeiro a Pico Ruivo que se atravessam à nossa frente.

Qualquer uma das opções anteriores é excelente, fica na nossa memória e a quantidade de informação sobre estas caminhadas é tanta que por pouco eu não fazia esta caminhada à Ponta de São Lourenço dedicando-me só às que referi e, depois de ter feito esta, vejo que tal teria sido um erro.

A Ponta de São Lourenço, ou Vereda da Ponta de São Lourenço (PR8), como é conhecido este trilho, fica na zona mais oriental da ilha da Madeira, longe das zonas mais centrais da ilha onde se concentram a maioria dos trilhos marcados.

Ao chegar ao local de inicio da caminhada, tive a surpresa de encontrar muitos carros estacionados no parque, pensei que o local fosse menos conhecido, erro meu.

Entretanto reparei que, ao contrário de outros locais da ilha, quase não havia carrinhas de empresas de caminhadas e afins, estavam ali estacionados muitos carros de aluguer e a percentagem de estrangeiros dominava a contagem.

Pus pés ao caminho e vi uma fila interminável de caminhantes no trilho o que me deu logo arrepios na espinha, considerando que o isolamento é algo que aprecio e procuro.

Para ser justo, passado pouco tempo de estar a caminhar essa sensação passou e raramente me recordo de voltar a sentir tal coisa durante esse dia, a beleza do local mereceu a calma com que encarei esta pressão de gente ali presente.

O caminho não apresenta dúvidas, está marcado de forma indelével e não há forma como alguém se possa perder a não ser por total imbecilidade ou simplesmente estar completamente pedrado. Por um motivo ou outro, talvez não devesse sequer sair à rua.

Este trilho é o paraíso da fotografia.

São linhas que se perdem no horizonte, variadíssimas tipologias de texturas, múltiplas cores saturadas, um contraste absurdo de paisagens e ângulos que de repente se abrem em amplitudes circulares assustadoras e um constante formigueiro de gente que coloca a paisagem com referencial entendível.

Quase no final do trilho, há uma surpresa que se torna num misto de agradável e irritante, é a chegada à Casa do Sardinha.

A Casa do Sardinha é um centro de interpretação e felizmente única construção das redondezas. Ao chegarmos aqui temos a sensação que entrámos numa “roça tropical” e que a qualquer momento vamos ver toda a actividade de um lugar desse género.

As redondezas estão bem arranjadas, há mesas para picnic e todo um ambiente convidativo para ali estarmos um bocado.

Então qual é a parte desagradável, ou irritante? Não adivinham?

As instalações sanitárias estão fechadas, ou avariadas ou … não interessa a razão, interessa que não era possível ir à casa de banho. Ora bem, com a enorme quantidade de caminhantes que ali afluíam o que estão à espera que estivesse a acontecer?

Já sei que vão responder que no site diz que podem estar a decorrer trabalhos e se quisermos lá ir devemos contactar um determinado número … pelo amor da santa, é muito pouco profissional.

Independentemente das razões, é uma situação que não faz sentido.

Valha-nos a beleza do sítio por si só.

É bom de ver que, não obstante o local ser muito concorrido, o impacto centra-se no percurso em si e este está muito bem conservado e que o restante espaço natural pouco ou nada é afectado.

Não deixem de percorrer este trilho durante uma visita à ilha da Madeira.

Divirtam-se,

David Monteiro

Dados sobre o trilho: http://www.visitmadeira.pt/en-gb/what-to-do/walking-routes/pr8-vereda-da-ponta-de-sao-lourenco

3 thoughts on “Ponta de São Lourenço, Madeira

  1. Caro Daniel,
    Costumo ler e partilhar todas as suas publicações, já que me identifico particularmente com elas e, infelizmente, não posso fazer as caminhadas que nos mostra.
    Não partilho esta pois não me identifico com o seguinte:

    “O caminho não apresenta dúvidas, está marcado de forma indelével e não há forma como alguém se possa perder a não ser por total imbecilidade ou simplesmente estar completamente pedrado. Por um motivo ou outro, talvez não devesse sequer sair à rua.”

    Nunca sabemos quem estamos a ofender.

    Vou continuar a ler e a partilhar o que faz. Só não gostei deste pormenor.

    Cumprimentos e boas caminhadas!

    Avelino Gamelas da Silva

    Liked by 1 person

    1. Boa tarde Avelino,
      Antes de mais um detalhe que aqui tem pouca imporância, o meu nome é David e por engano chamou-me Daniel que também é um nome que aprecio.
      Quero agradecer a sua sinceridade e a sua capacidade de frontalmente me enviar a sua opinião, só por isso já lhe tiro o chapéu.
      Penso que é assim que podemos fazer um mundo melhor.
      Qualquer frase que possamos escrever irá, potencialmente afetar alguém, de forma positiva ou negativa, aceito isso.
      A forma construtiva como me critica deixa-me em dívida da explicação.
      Uma grande parte dos meus clientes são pessoas extraordinárias com que tenho conversas de longas horas e a eles/elas devo boa parte dos ensinamentos que tenho colhido nos últimos anos.
      São também pessoas nos seus 65/85 anos de idade e muitos não conseguiriam fazer este percurso sozinhos.
      Não faço atividades só direcionadas para público jovem. Adoro malta nova mas não creio que eu tenha as qualificações que tais atividades requerem e por isso não o faço.
      Um público mais jovem também pode ter alguns problemas num percurso como este.
      Então porque o escreví?
      O público a que geralmente me dirijo e que colhe estas informações para fazerem atividades não se enquadram em nenhum destes grupos.
      Além disso, os profissionais que estes percursos TÊM que ser mais do que pessoas que seguimos mas sim quem nos acrescenta valor com o seu profundo conhecimento do local.
      Daí o usar uma expressão mais forte.
      Caro Avelino, por favor continue a criticar pois a sua crítica ajuda a pensar e a crescer.
      Do meu lado tentarei ser cada dia melhor.
      Um bem-haja,
      David

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      1. Boa tarde David,
        Peço desculpa pela troca do nome.
        Antes de voltar a criticar, espero (estou certo que o farei) continuar a ler e partilhar as suas crónicas, pois gosto muito daquilo que nos mostra.
        Decidi escrever-lhe porque me lembrei dum episódio que vivi há alguns anos quando uma piada inofensiva e não dirigida a mim, dita por dois clientes que eu estava a atender, sobre a doença de Alzeimer, me incomodou pois, nessa época tinha o meu falecido pai a definhar com esse problema de saúde.
        A parti daí penso duas, três, quatro vezes, antes de brincar com algo parecido.
        Pedindo já desculpa pela minha frontalidade estou-lhe grato com a urbanidade da sua resposta.
        Grande Abraço!

        Gostar

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