Vereda do Pico do Areeiro ao Pico Ruivo, Madeira

 

Uma imensidão de espaço e cristas verdes que coroam escarpas castanhas e enrugadas é o que podemos esperar ao caminhar a Vereda do Pico do Areeiro em direção ao Pico Ruivo, na ilha da Madeira.

Percorrer este trilho era um projeto há muito adiado e que finalmente concretizei num dia fabuloso para caminhar.

A vereda que une o Pico do Areeiro ao Pico Ruivo deve ser um dos trilhos mais percorridos por praticantes assíduos de caminhada em viagem à ilha da Madeira.

O Pico Ruivo, com 1862m de altitude, enquanto pico mais alto do arquipélago Madeirense é, por si só, um grande atrativo para este tipo de caminhantes. Mas o caminho entre estes dois picos tem muito mais para oferecer do que a sua altitude, tem uma paisagem que nos enche o peito e prende a respiração.

Recordo-me de uma altura em que ouvi notícias que o trilho tinha sofrido obras de melhoria que o tornaram mais acessível. Recordo-me que em seguida houve muitas críticas negativas a esse trabalho queixando-se que essa facilidade retiraria o carisma do percurso.

Por desconhecimento não posso falar do que existia antes,  apesar de com a experiência que tenho, poder minimamente imaginar como seria.

Este é um trilho de montanha que democratiza o acesso a esta prática, tornando-a mais acessível e, acima de tudo, com grande nível de segurança.

Ainda assim, não invalida as necessárias precauções que devem ser tomadas nestes casos mas qualquer caminhante com alguma prática pode aventurar-se neste trilho sem risco de maior.

Não é por este trilho ter sido melhorado que o mundo fica mais curto de possibilidades de aventura para quem gosta desta sensação, como é o meu caso.

Posto isto, fiquei contente com o que vi face ao trabalho que foi feito no trilho.

Como “não há bela sem senão”, há um preço a pagar por esta melhoria e chama-se: multidão.

Tal como eu, um incontável número de caminhantes estava a fazer o percurso e, a certas alturas, havia uma linha compacta de caminheiros. Não foi fácil esperar por janelas de oportunidade onde não passaria ninguém no trilho e eu pudesse tirar uma fotografia … mas foi possível.

Ainda assim valeu muito a pena fazer este trilho.

O trilho parte da zona comercial do Pico do Areeiro, onde podemos fazer o último xixi depois do café da praxe.

Como zona comercial e acessível que é, encontra-se apinhada de gente que tira selfies a ver-se com a paisagem de fundo, sinal dos tempos modernos.

O início do trilho é muito evidente.

Em dia com visibilidade, como foi o caso, o olhar atinge todos os cumes ao nosso redor e vemos o quanto escarpada é a ilha, cheia de rugas profundas e cristas verdes.

Sei que dentro de alguns dos vales que vejo à minha frente estão as levadas que já percorri ou ainda irei percorrer nos próximos dias, é uma sensação fantástica.

Nas zonas onde poderá haver alguma sensação de vertigem houve o cuidado de colocarem um corrimão. Com pena, vejo que alguns já estão um pouco mal tratados e a necessitar de manutenção.

Ao longo do caminho passamos por quatro túneis em que em dois torna-se fundamental a utilização de lanterna frontal, já que são suficientemente longos para serem escuros.

Nos locais mais íngremes foram escavados degraus ou colocadas escadas de metal para facilitar a progressão e todas estas estruturas me pareceram impecavelmente tratadas.

Passamos pela casa abrigo antes de subir até ao Pico Ruivo.

Esta estrutura está abandonada e não conheço todos os detalhes da história mas dá dó. É um edifício muito interessante totalmente ao abandono.

Oiço os turistas, nacionais e estrangeiros, a questionarem-se sobe o abandono do local, encolhendo os ombros e sem entender o que possa motivar tal situação. Se metade destas pessoas consumisse algo neste local (caso estivesse a funcionar) seria um excelente dia de negócio e para os caminhantes seria um excelente serviço.

Da casa abrigo até ao Pico Ruivo e ainda faltam umas centenas de metros. Descansa-se um pouco e toca a andar que, como diz o povo, o rabo é o mais difícil de esfolar.

Chegamos ao topo e a visão é de 360º de paisagem brutal, o sonho do fotografo de natureza e paisagem.

Estamos acima da nuvens, na zona leste vejo um espesso manto branco que cobre o que se passa lá em baixo como se não nada mais existisse.

Também vejo a casa abrigo de onde parte um trilho que reconheço como sendo a “Vereda do Pico Ruivo” e tenho pena de não o poder percorrer mas ficará para uma próxima oportunidade.

No cimo daquele que é o ponto mais alto da Madeira detenho-me a contemplar a paisagem, são momentos impagáveis que se saboreiam com tranquilidade.

Bem hajam.

David Monteiro

PS: O percurso Vereda do Pico do Areeiro está marcado como tendo 5,6Km de comprimento para um dos sentidos. No caso do percurso acima referido, já contando com desvisos diversos, fiz um total de 14,5Km com um desnível de 957 subidas/descidas.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s