Porto Santo pela primeira vez

Porto Santo é uma ilha onde há muito mais do que sol e praia.

Cheguei a Porto Santo com uma imensa curiosidade sobre o que ia encontrar.

A primeira vez que pisava este chão trazia-me uma sensação fantástica onde se baralhavam sentimentos de ansiedade com curiosidade e expectativa num divertido turbilhão.

Uma das vantagens dos tempos modernos é a facilidade de acesso à informação sobre seja lá o que for, localidades inclusivamente.

Mas, o que pode ser um grande benefício também tem os seus problemas:

– corta-me surpresa quando vou para qualquer local sobre o qual li bastante;

– durante a pesquisa encontro uma grande quantidade de lixo informativo que tenho que depurar quando quero saber algo;

– e, em última instância, por ideia feitas à priori resultantes dos relatos que encontrei, pode acontecer que acabe por condicionar o meu tempo a algumas actividades que me pareçam mais interessantes não deixando tanto espaço à surpresa e casualidade.

Li muitas informações contraditórias sobre Porto Santo e, não obstante as ter passado pelos meus filtros, não conseguia ter uma ideia clara sobre o que iria encontrar. As crónicas balanceavam-se entre as “férias espectaculares” e o “não há nada de jeito para se fazer”.

Claro que o que podemos encontrar dependerá sempre do olhar de quem lê e de outras tantas circunstâncias inerentes ao observador. Mas, ainda assim, são informações, que como referi, faço passar pelo meu filtro.

Como ilha pequena que é Porto Santo não me surpreendeu que o ritmo da vida fosse fortemente marcado pelos horários dos barcos que vêm da Madeira e os cada vez mais frequentes voos para aqui.

Talvez por ter visitado a ilha em Maio, a ilha estava essencialmente amarela das palhas douradas resultantes da falta de chuva que se vinha a sentir nas últimas semanas.

Também tive períodos de nevoeiro intenso o que também não me surpreendeu por já estar habituado a este tipo de paisagem atlântica.

Claro que o nevoeiro deu cabo da minha ideia de fazer fotografia com grandes cenários, céu aberto e talvez com algumas nuvens a sobrevoar a ilha para dar mais dramatismo. Houve que trabalhar noutro imaginário.

Em Porto Santo a vida centra-se em Vila Baleira, é para lá que confluem os recém chegados se não forem levados directamente para algum resort. Parece que todos se dirigem para esta vila antes de tomarem rumo a qualquer outro local.

São múltiplos os serviços de entretenimento que conseguimos encontrar. Guias para caminhadas, passeios de Jeep, moto 4X4 e outras tantas opção de que não me recordo.

Ao chegar queria ter uma ideia geral da ilha e por isso fui procurar um circuito de autocarro que me desse essa visão. Encontrei um não muito caro e razoável mesmo no centro da vila que parecia-me ser a opção certa.

Mais tarde, ao ter usado o transporte público para ir a dois locais diferentes acabei por ver que a opção de ter utilizado o dito tour foi redundante. Neste caso não se prende tanto com o valor dos bilhetes, já que ambos são baratos, mas sim com o tempo consumido que acabei por achar desnecessário.

No transporte público vi as mesmas coisas e ainda tive a oportunidade de estar inserido num ambiente local em vez de totalmente rodeado por turistas com telemóveis a disparar selfies freneticamente.

Após três dias a explorar Porto Santo sem me ter detido muito tempo na praia, fiquei com a sensação que a ilha está mal promovida.

É apresentada como uma ilha para praia e também é. Porém, a praia pouco diferem do que podemos encontrar em tantos outros locais.

Encontrei um ambiente descontraído, uma imensa simpatia e abertura nos habitantes da ilha como pouco encontrei na ilha da Madeira.

Sobre este agradável estado de espírito pouco li na documentação acessível mas que acho que faz muita diferença quando queremos decidir onde ir passar uns dias.

Naturalmente as caminhadas ocuparam boa parte dos dias que aqui passei. Acabei por encontrar mais possibilidades de caminhar do que tempo disponível para as fazer.

Assim sendo, optei por conjugar os trilhos que queria percorrer com as fotografias que gostaria de fazer sempre condicionado à meteorologia que encontrei.

A cultura também é incontornável nesta pequena ilha e, apesar de não vir com essa fisgada, não era possível deixar de visitar a emblemática casa do Cristóvão Colombo.

Penso que estão lançadas as primeiras pedras dos artigos que escreverei sobre Porto Santo que fica na minha memória como a ilha da esperança dourada que terei que voltar a visitar.

David Monteiro

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